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Você é quem você é?

(Por Rev. Éder Carlos Wehrholdt)

Com certeza, em alguma ocasião, você já pensou em ter uma outra personalidade. Ou, quem sabe, em ser um agente duplo. Pense em como seria interessante se você pudesse ser duas pessoas ao mesmo tempo, quem sabe um agente duplo, que de dia trabalha para uma empresa e à noite trabalha para a concorrente. Isso parece ser bom, pois você pode jogar nos dois lados e tirar vantagens de ambos.

Muitas vezes esse tipo de dupla identidade acontece com jovens cristãos - e até mesmo cristãos adultos. Durante o dia, ou junto com outros cristãos, agem como perfeitos cristãos, falando e fazendo aquilo que um cristão faria. Mas à noite, ou junto a não cristãos, mudam completamente o seu modo de viver e agir, falando e fazendo coisas que não são compatíveis com o cristianismo.

Isso, até certo ponto, pode ser explicado pela necessidade que temos de sermos bem-quistos, aceitos, no meio em que estamos. Por isso criamos uma certa capacidade de nos acomodar ao ambiente, acompanhando a maioria que ali se reúne. Podemos ser comparados ao camaleão, que troca de cor conforme o ambiente para melhor se esconder, com a observação de que nós mudamos de comportamento para melhor aparecer no meio em que estamos: se é um meio cristão, somos cristãos; se é um meio não cristão, também nós deixamos de ser cristãos.

Embora possamos dizer que então não somos os únicos a agir desta forma, é preciso ressaltar que isso é perigoso. Viver de uma maneira num lugar e de outra em outro nos leva a questionar qual dos modos de vida tem mais valor. Além disso, sempre vamos ficar feridos emocionalmente, pois não seremos autênticos em nenhuma ocasião. Nossa consciência, que conhece a Lei de Deus, sempre vai nos acusar quando fizermos algo contrario a esta Lei. Com isso teremo sentimentos de culpa e possivelmente entraremos em parafuso diante da confusão que estabelecemos dentro de nós.

Por outro lado, o perigo maior é o espiritual, pois não é possível ser cristão "às vezes" e "às vezes" não. Cristo afirmou: Quem comigo não ajunta, espalha (Mt 12.30). Ele também afirmou que aquele que o confessar perante os homens Ele confessará perante o Pai, mas aquele que o negar perante os homens Ele negará perante o Pai (Mt 10.32). Isso nos coloca numa situação muito delicada. De um lado sabemos o que é errado, de outro não conseguimos evitar os erros. Como reagir?

Paulo já sentiu isto. Ele foi um fariseu extremado e era tido como um pilar de retidão. Mas ao conhecer Jesus, transformou-se no maior divulgador do cristianismo pelo mundo conhecido na época. Paulo sentiu o mesmo problema. Por isso ele escreve: Eu não entendo o que faço, porque não faço o que gostaria de fazer. Ao contrário, faço justamente o que odeio. Se faço o que não quero, isso provba que reconheço que a Lei é justa, e mosta que de fato já não sou eu quem faz isso, mas é o pecado que vive em mim. Pois eu sei que o que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque ainda que a vontade de fazer o bem esteja em mim, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero fazer, esse faço. Mas se faço o que não quero, já não sou eu quem faz, mas opecado que vive em mim (Rm 7.15-20 - BLH*).

Esta luta não é só de Paulo, mas é de todos os cristãos. Dentro em nós temos dois "homens": o velho homem, que ama o pecado e nos leva a praticá-lo; e o novo homem, nascido no batismo, que odeia o pecado e nos leva a viver conforme a vontade de Deus. Estes dois "homens" vivem em guerra. Vence o que for melhor "alimentado". Se eu alimentar mais o meu lado pecador, vivendo e fazendo o que o mundo faz, este será o lado vencedor. Mas se eu alimentar o meu lado santo - o novo homem - vivendo junto a outros cristãos, estudando e praticando a Palavra de Deus, este será o lado vencedor.

E se eu não conseguir viver apenas conforme a vontade de Deus? Respondo com outra pergunta: qual ser humano consegue isso?

Felizmente, Deus não fica contando os pontos positivos e os negativos de nossa vida. Claro, Ele nos dá meios de lutarmos contra o pecado. Mas se pecarmos, Ele também já providenciou perdão para este pecado em Cristo. Mas é preciso lembrar que de Deus não se zomba, ou seja, se por vontade própria vivemos em pecado, persistimos no pecado mesmo sabendo o que estamos fazendo, então a situação é diferente. Deus quer que nos arrependamos, ou seja, reconheçamos nosso erro, lamentemos ter errado e abandonemos esta vida que em que vivíamos. Além disso, quer que confiemos em Cristo como nosso único e suficiente Salvador. Então, assim, Ele nos capacita com o Espírito Santo para que, juntamente com Cristo, vençamos as tentações, o pecado e a morte eterna.

Assim, nós podemos ser cristãos autênticos: cristão autêntico não é aquele que tem uma auréola sobre a cabeça, mas aquele que tem Cristo como Salvador e, com a ajuda do Espírito Santo, luta contra o pecado. Aí nós podemos ser quem realmente somos: Filhos de Deus, redimidos por Cristo na cruz.

Baseado em Michael W. Smith, Já tenho idade para saber, Bom Pastor, 1991, p. 21-32.

BLH = Bíblia na Linguagem de Hoje